Pessoas que contam

Medina Carreira

fiscalista

"Primeiro, há um problema urgentíssimo que é o problema financeiro do país e que passa pela entrada do FMI que ponha as contas na ordem e faça Portugal “entrar nos eixos”. Depois, há um problema económico nacional com consequências sociais a prazo e que passa, mais uma vez, pelo FMI. Seria necessário um aval do FMI que permita, com sossego, arrumar a casa durante quatro a seis anos. Para isso, era necessário um acordo de todos os partidos políticos,

mas era preciso haver um método diferente de abordagem política que tem faltado desde 1985, quando Portugal optou por aderir à Europa e funcionar internacionalmente como uma economia aberta, em competitividade com o mundo, sem discutir ou pensar como. Portugal tem desacelerado década após década e era necessário pôr

a economia a funcionar para as exportações. Como? Agilizando a sociedade, criando eficácia. Isso passa por arrumar a justiça (com quem trabalha nela). Desburocratizando a sociedade. Dando uma volta na educação. Criando um sistema fiscal estável e simples: o actual é uma vergonha. E tudo isto num pano de fundo em que a Europa está a recuar face à China e em que, a prazo, quando, por exemplo, se tiver de escolher entre pagar as pensões ou aos desempregados, haverá revoluções sociais".

 

Há dois tipos de pessoas: umas dizem aquilo que pensam e acreditam, mesmo que isso não traga simpatias imediatas ou tardias, outros dizem aquilo que os outros gostam de ouvir mesmo que não acreditem no que estão a dizer. Eu escolhos os primeiros! Medina Carreira é uma dessas pessoas. Há quanto tempo este senhor anda a dizer que vamos bater na parede, se continuarmos com esta economia rastejante? Para a maioria dos especialistas, diga-se economistas e afins, M. Carreira era um doido e pessimista. Não vendeu ilusões, por isso pagou o seu preço, não foi coroado. No entanto a realidade aí está a dar-lhe razão, infelizmente para os mais fracos e miseráveis.

 

publicado por Barto lo meu às 15:40 | link do post | comentar