Terça-feira, 26.07.11

O FIM DA ILUSÃO - Medina Carreira

O Fim da IlusãoHá muitos anos que Medina Carreira vinha alertando políticos, governantes e cidadãos comuns para o mais do que provável colapso das finanças públicas. A situação de aperto que Portugal vive neste momento teria sido evitada se, dando ouvidos às previsões certeiras de Medina Carreira, o País tivesse sido alvo de um conjunto de reformas estruturais condicentes com a nova ordem mundial. Este livro oferece ao leitor uma visão muito clara das causas do colapso financeiro e de como este poderia ter sido evitado. Ao mesmo tempo, alerta para a necessidade imperiosa de levar a cabo uma transformação profunda do País a vários níveis, que o coloque definitivamente no rumo da sustentabilidade. Sem ilusões.

publicado por Barto lo meu às 17:18 | link do post | comentar

Portugal na Hora da Verdade

Agora que iniciamos a segunda década do novo século, não restam dúvidas de que Portugal enfrenta actualmente a crise de um século: o pior crescimento económico médio desde a  Primeira Guerra Mundial; a taxa de desemprego mais elevada dos últimos 80 anos; a maior dívida pública dos últimos 160 anos; a maior dívida externa dos últimos 120 anos (desde 1892, quando tivemos de declarar bancarrota); o regresso em força dos portugueses à emigração.

publicado por Barto lo meu às 13:37 | link do post | comentar

Joseph Sitglitz. O Prémio Nobel da Economia falou da necessidade de os governos regularem os mercados.

O primeiro encontro do movimento espanhol 15-M, que dá voz aos trabalhadores precários espanhóis e aos indignados contra a crise, contou com a visita surpresa do economista Joseph Sitglitz. O Prémio Nobel da Economia falou da necessidade de os governos regularem os mercados.

O primeiro Fórum do movimento 15-M, que contesta a precariedade laboral e as dificuldades dos trabalhadores espanhóis, recebeu na segunda-feira a visita surpresa de Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia.


O economista norte-americano surpreendeu os apoiantes do movimento com a sua presença no Parque do Retiro, em Madrid, palco do primeiro encontro formal do 15-M, que há semanas ocupou as principais praças das grandes cidades espanholas, em protesto contra a falta de resposta governamental para as consequências da crise económica. 

Sitglitz manifestou a sua simpatia para com a “energia” do movimento 15-M e defendeu a necessidade de uma maior regulação dos mercados. “A crise económica mostrou que os problemas actuais do capitalismo com mercados sem regulação. A experiência das três últimas décadas demonstra a necessidade de os governos terem um papel importante na regulação dos mercados”, afirmou o Nobel, citado pelo “El País”.

Num discurso de 12 minutos, partilhado com o seu tradutor, o economista deixou um desejo à plateia: “vejo aqui uma energia reconfortante, espero que a useis de forma construtiva. Não se podem substituir as más ideias pela ausência de ideias. Temos é que trocá-las por boas ideias”.

Sitglitz defendeu que se tem que lutar para que as boas ideias “entrem no debate público”, o que exige “organização e liderança”. “Vai ser uma luta difícil porque as más ideias estão instaladas no discurso económico dominante, mas agora temos uma grande oportunidade para associar a ciência económica com o compromisso de justiça social e conseguir uma nova economia. Desejo-vos a melhor sorte”, afirmou na despedida.

Neste primeiro encontro formal do movimento, que durou todo o dia, participaram entre 200 e 300 pessoas. Houve vários temas em discussão, relacionados com política internacional, meio-ambiente, educação, feminismo, democracia participativa, economia, cultura, saúde, temas sociais, entre outros, de acordo com o relato do “El País”.

Aqui está uma boa iniciativa, livre,( eles não querem nem acreditam no entanto o mundo gira), sem estar acorrentada aos vendedores de ilusões, a maioria da chamada classe politica, que têm lançado, e vão continuar a lançar, para o desemprego, milhões de pessoas, seres humanos, se estes não ousarem lutar!
Levantai-vos do chão!
publicado por Barto lo meu às 11:36 | link do post | comentar

A geração Facebook.

O secretário-geral das Nações Unidas apelou hoje aos governos para que invistam na juventude, lembrando que a 'geração Facebook' é constituída pelos líderes do futuro.

 

Ban Ki-Moon considerou que a crise económica mundial e as medidas de austeridade "restringem as oportunidades" dos mais jovens e recordou aos governos que "não investir na juventude é criar uma falsa economia", noticia a Efe.

 

A comunidade internacional "deve trabalhar para alargar o horizonte de oportunidade dos mais jovens e responder às suas legítimas pretensões de um trabalho digno e decente", afirmou o responsável da ONU, durante um encontro de alto nível a propósito do Ano Internacional da Juventude.

 

Ban Ki-Moon aludiu ainda à capacidade de liderar a mudança mostrada pela 'geração Facebook', como apelidou os jovens, pelo uso das redes sociais para conseguir alterações mobilizar massas e conquistar alterações sociais.

 

"A geração Facebook está a mostrar uma determinação crescente para mudar o nosso mundo e uma capacidade para fazer com que as coisas se modifiquem", sublinhou.

 

Acrescentou que os jovens são quem tem a "energia e coragem" necessárias para que o mundo enfrente "os assuntos mais complicados que tem pela frente".

 

O secretário-geral da ONU recordou que os jovens estiveram no centro da mudança que ocorreu desde o norte de África ao Médio Oriente.

 

Centenas de jovens, representantes governamentais e de organizações juvenis estão reunidos a partir de hoje nas Nações Unidas para o encontro "Juventude: Diálogo e Entendimento Mútuo".

 

O encontro de hoje na sede da ONU iniciou-se com um minuto de silêncio em memória pelas vítimas do duplo atentado terrorista na Noruega.


 Concordo. Apostar ainda nos partidos existentes, é acrescentar mais crise à crise. Basta ver quem o PS elegeu para seu líder. Estes continuam a defender sobretudo  suas tribos! E estas hoje, ainda mais se acomodam, em volta do chefe. Pois todos sabem que vêm aí tempos prolongados de penúria , sem crescimento económico, com muito pouco dinheiro para distribuir! Por isso o pensamento destas facções è : Os jovens que paguem as facturas ou cá ou na emigração! 

publicado por Barto lo meu às 07:02 | link do post | comentar
Domingo, 24.07.11

A história do José Hipólito e da Cesalina Carvalhais- Edição de 21-07-2011 " O Mirante"

Há dez anos a trabalharem na Holanda para pagarem às finanças a penhora da casa dos seus sonhos
A história do José Hipólito e da Cesalina Carvalhais que venderam tudo e emigraram para defenderem o bom nome 

foto

As notícias que vão abrindo os noticiários das televisões contam cada vez menos a realidade do país em que vivemos. A falência dos políticos portugueses e da política à portuguesa faz com que as nossas principais instituições se degradem e sirvam apenas os interesses de alguns. Vivemos numa democracia, é verdade, mas muitas das instituições que nos sustentam como país são literalmente fascistas nas suas organizações. José Hipólito e Cesalina Carvalhais têm uma história de vida para contar que é um bom exemplo de alguém que é vencido pelo sistema.

Não sei por onde começar a transcrição desta conversa. Tenho a cabeça cheia de ideias para escrever um texto diferente mas por outro lado tenho receio de subverter as regras logo na pior altura que é a de contar uma história de vida que eu considero um bom exemplo. O que me apetecia era pegar nas histórias de uma dúzia de empresários da minha região, que foram à falência nestes últimos dez anos, e depois juntar a história do José Hipólito e da Cesalina Carvalhais que há dez anos saíram deste desgraçado país e emigraram para a Holanda de forma a não sucumbirem nos destroços do país onde nasceram e têm o coração.

Enquanto a conversa vai ganhando corpo no papel, com o barulho do gravador em fundo, começo a ganhar consciência que o meu objectivo não é escrever um livro à Medina Carreira. Só nos altares das igrejas Deus ainda descansa do seu martírio. Nos altares da economia portuguesa já toda a gente perdeu a inocência. E até os políticos já conseguem convencer alguns descrentes que desta vez vão governar mesmo a sério; que daqui por alguns meses não estão todos a ceder outra vez aos lóbis dos banqueiros, dos sindicalistas, dos dirigentes associativos da CAP e da CIP e companhia limitada.

Desfeita a ilusão de que esta história exemplar do José e da Cesalina se podia escrever como se escreve um livro (com muitas páginas e puxando todos os fios do novelo), aqui fica o resumo de duas horas de conversa com um Homem e uma Mulher que eu conheço desde sempre.

O José Hipólito é conhecido na Chamusca como empresário de aluguer de máquinas. É homem de trabalho como os ursos são animais da floresta. E fez de quase tudo na vida antes de viajar para a Holanda. Como quase todos os homens da sua geração começou a trabalhar antes de conhecer os bancos da escola. E nunca mais parou de trabalhar e de dar o seu melhor pela sua terra e pela sua gente. Até ao dia que sentiu que ia ser engolido por esta máfia portuguesa que está a destruir o país e uma sociedade de homens sérios e honestos que não se limitaram a conseguir trabalho para si, e organizaram a vida para terem trabalho também para os seus vizinhos, amigos e cidadãos em geral.

José Hipólito é a prova de que é perigoso conviver com o sistema, ou tentar fazer parte dele, se não tivermos os pés bem assentes no chão. Basta um advogado manhoso, um cliente com más intenções, ou um mau colaborador, e vai tudo por água abaixo. Dinheiro e reputação; vida própria e familiar; sossego e consciência; e, acima de tudo, aquilo que ainda é a maior das riquezas de um homem que é a honra e a vergonha.

Há muito tempo que me recuso a ouvir e ver televisão às horas dos noticiários. Chega de lavagem ao cérebro. Foi a pensar na imagem da minha televisão sem som na hora do jantar que comecei a minha conversa com o José Hipólito e a Cesalina Carvalhais para tentar perceber como é que eles se tinham entendido com os seus chefes de trabalho na hora de chegarem à fábrica holandesa, na região de Zeiland, numa pequena vila chamada Waarde. Eis a resposta que dá início ao discurso directo dos meus dois entrevistados que são um exemplo de resistência às adversidades da vida.

 A língua portuguesa é a nossa maior riqueza.

Com a questão da língua foi difícil, responde Cesalina, mas com a força de vontade de vencer tudo se torna fácil. Gestualmente foi como resolvemos o nosso problema nos primeiros tempos. De resto ainda hoje, e passados quase dez anos, sou a única portuguesa no meio das chinesas. E europeias sou eu e mais quatro. O resto veio do Vietname, da Malásia e do Gana. Falamos muitas línguas ao mesmo tempo (risos). Mas o português é uma língua que está presente em todo o mundo pelas mais variadas circunstâncias. O meu encarregado geral, que é holandês, tem um irmão no Brasil e então aproveita para treinar o português comigo para poder também falar com o irmão. Uma rapariga chinesa que tem um namorado italiano interessa-se muito pelo português e eu vou ensinando o que sei, o que também me ajuda a aprender a língua deles.

Tivemos uma vantagem de início. Já lá tínhamos o nosso filho e a minha nora. E agora também lá temos o nosso neto. Trabalham os dois e foram primeiro que nós. Foi naquela altura, enquanto eu fiquei a arrumar a casa em Portugal, depois de decidir que a melhor forma de resolver a nossa vida era emigrar, conta José Hipólito. Foram eles que nos arranjaram trabalho. Na altura não havia portugueses naquela região agora são mais que os holandeses.

Mas afinal o que é que fez transbordar a água do copo e vender tudo e deixar para trás uma vida de trabalho?

Não foi só um problema com falta de pagamentos e compromissos que assumiram comigo. Foram várias situações. Algumas são pequenas dívidas mas tudo somado dava muito dinheiro. Mas eu conto-te os casos principais para perceberes melhor. Para sair destes trabalhinhos por aqui que só empatavam comecei a transportar pedra para Itália.

No ano 2000 fomos para França fazer a campanha da beterraba e só aí ficaram sessenta mil euros. Isso complicou tudo ainda mais. Mas onde tudo começou verdadeiramente foi aqui na Chamusca ao fazer o aterro do edifício da antiga Zona Agrária. Ficaram-me a dever quase 15 mil euros. Na altura era muito dinheiro. Meti a firma em tribunal porque já não aguentava mais que fizessem pouco de mim. Esta história é muito engraçada e talvez pudesses escrever um livro com ela se tivesses vagar para fazer pesquisa. A firma em causa, depois de eu fazer queixa em tribunal, por não cumprir os pagamentos, alegou também em tribunal que eu lhes dei um prejuízo de 100 mil euros. E então a partir daí só me pagavam o que me deviam, que eram mais ou menos 10 euros, se eu lhes pagasse os 100 mil. Percebes a chantagem? Já viste como as coisas funcionam? E porque é que eu lhes dei o prejuízo? Porque com o problema em tribunal que eu lhes coloquei por ter feito queixa, eles deixaram de poder concorrer às obras públicas. Foi já para os pressionar a pagarem-me que eu os meti em tribunal. Mas saiu-me o tiro pela culatra. E como retaliaram ainda fui multado por não ter passado as facturas na data certa, o que foi mais outra patifaria que me fizeram. E aqui entra o meu advogado. Ou ele é muito incompetente ou este mundo gira ao contrário e os cães comem com os lobos como já dizia o escritor Aquilino Ribeiro. Ainda por cima é um advogado que em tempos me deu serventia nas obras, que era meu amigo, pessoa a quem eu ajudei noutros tempos da vida pobre. Mais tarde formou-se na advocacia enquanto andou na tropa e é o que já te contei. Entretanto ele passou a rico e eu quase que caía na miséria. Ainda há um mês o procuramos pessoalmente e a resposta foi: eu depois ligo lá para casa para combinarmos o nosso encontro para vermos como vamos fazer no futuro. Foi até hoje. É um processo com dez anos. Estas coisas não se fazem a um cidadão no século XX. Mas eu juro que isto não fica assim. Nem que seja antes da hora da morte eu hei-de conseguir que me façam justiça.

Depois foi aquele trabalho de caminhar para França. Foi um desastre. Somei mais de 60 mil euros de facturação e queriam que eu recebesse aos quinhentos euros de cada vez. Fui para um advogado e a resposta foi que a justiça francesa ainda era mais lenta que a portuguesa. E já lá vai mais de uma década e o dinheiro ainda lá anda. E tinha contrato escrito com essa empresa. Com dois semi-reboques ao serviço deles e quatro motoristas a tempo inteiro. Trabalho de escravo para saírmos da crise, pagando com o corpo, como sempre foi e provavelmente sempre será. O problema é que basta escolher os parceiros errados e está tudo estragado na nossa vida.

A história com a empresa francesa está entregue a uma advogada de Almeirim e a conversa continua na mesma. Dizem que a justiça francesa continua mais lenta que a portuguesa. Mas eu não desisto. Eu sou um fala-barato e tenho amigos franceses que já prometeram ajudar.

Com esses problemas todos resolvi vender tudo e ficar com a minha casa antes de ser leiloada pelo fisco. Passados estes anos todos ainda estou a pagar a casa embora seja pela segunda vez pois ela já estava paga há muitos anos.

Mas ainda estás a pagar porque queres uma vez que já emigraste há quase dez anos?

Não, esse é que é o problema. Um ano e meio depois de emigrar tive um acidente numa máquina que me papou um dedo da mão. Já fiz oito operações ao braço. Isto correu mal logo desde o início e agora não me deixam trabalhar. Temos que viver do meu ordenado mínimo e do ordenado da minha mulher que, ela sim, já tem contrato definitivo e trabalha as horas que pode.

A mim não me deixam trabalhar. Dizem que eu não tenho condições. Só posso fazer voluntariado. Mas posso viajar e ir para onde quiser. E só não estou a fazer voluntariado porque moro muito longe do hospital da região e as viagens ficavam muito caras.

Aos sessenta anos já posso pedir a reforma antecipada. Eu estou a um ano de poder pedir. Julgo que com as nossas duas reformas podemos fazer a nossa vida descansados. Só precisamos de acabar de pagar às finanças, diz Cesalina de volta à conversa a três enquanto ouço os desabafos sobre advogados manhosos e empresários astutos que andam nesta vida para enganar meio mundo.

Vimos dois meses de férias porque faço muitas horas a mais e eles não podem pagar tudo em dinheiro. Se eu receber essas horas mais de setenta e cinco por cento vai para a segurança social. Assim vale mais gozar férias. Aproveitamos para descansar e matar saudades do país, desabafa Cesalina.

Deixei 32 anos de trabalho para trás por causa de não me pagarem. Se me pagassem eu nunca iria para o estrangeiro. Aquilo que eu mais adorava era a minha empresa logo a seguir ao meu filho e à minha mulher. Eu tinha orgulho no meu trabalho e em ver o fruto do meu trabalho. José Hipólito volta a bater no ceguinho e rememora aquilo que teve que viver há uma década para se manter de pé e não fazer má figura com as pessoas que sempre confiaram nele. E nos desabafos que não interessam para esta reportagem curiosamente até os nomes dos homens que trabalhavam no fisco aparecem como pessoas amigas e que sempre o atenderam com simpatia, amizade e consideração. Não há ingratidão nem ressentimento nas suas palavras a não ser para aqueles que o traíram ou fizeram dele gato-sapato.

Quando eu percebi que já não aguentava mais a pressão vendi as máquinas e as camionetas. Tinha cinco retro escavadoras, uma giratória e uma bulldozer, uma D6 H , mais as cinco camionetas. E todas as máquinas tinham um operador. Trabalhava aqui à volta e ia para sul e para norte de Portugal a qualquer dia da semana. Os alicerces das pontes de Fátima para o troço da A1 foram feitos por mim em subempreitada. Foi aí também que eu comecei a ver as minhas dificuldades pois comecei a caminhar para Lisboa, para a 24 de Julho, para receber. Na altura três mil contos de trabalho podiam derrubar um homem. Eu sempre vi as dificuldades à distância. Quando percebia que as coisas estavam a ficar difíceis começava a vender as máquinas para não me enterrar ainda mais. Nessa altura já não era fácil vender máquinas em segunda mão. Então juntava duas e comprava uma nova. E assim fui andando até que chegou a altura das finanças entrarem em acção e quererem a minha casa. E foi aí que resolvi dizer, alto, ponto final nesta história. Fiz as contas e vi que a venda das máquinas todas pagavam as dívidas que eu tinha por aí. Só ficava de fora a dívida às finanças. Negociei e lá vou eu e a minha mulher para a Holanda onde há, apesar de tudo e de todos os defeitos, uma justiça que funciona e uma sociedade organizada onde o poder político não é corrupto e faz crescer a justiça social e a igualdade de direitos a cada geração que passa.

José Hipólito e Cesalina Carvalhais têm ambos 58 anos. Fomos para lá aos 50 anos e devíamos ter ido aos 30. Com o amor à camisola andei aqui pela Chamusca a dar cabo da vida. E tive tantas hipóteses de emigrar para a América. O José Manuel Campos convidou-me tanta vez para ir trabalhar com ele para a América e eu por causa desta vida fui sempre ficando preso às máquinas novas que ia comprando ou trocando pelas velhas. Isto há trinta anos. Estou agora a pagar o preço de ter ficado agarrado às fraldas da terrinha onde nasci e onde gostava de fazer boa figura.

A Cesalina confirma. A vida agora é outra coisa. Não é melhor. Lá isso não é. Só que vivemos mais descansados. Mas quem nunca emigrou não sabe o que se sofre.

Casa trabalho e trabalho casa. É uma vida de escravo. E a Holanda não tem o nosso sol. O tempo é tão irregular. De uma hora para a outra passa de um tempo de Primavera para o tempo de Outono. E a vida perde o encanto porque estamos longe das nossas raízes e das nossas referências e daquilo que sempre sonhamos.

José Hipólito remata a conversa: Ficou muito dinheiro espalhado por aí. Andei a acabar a casa dos outros e a minha ficou por acabar e agora tenho que a pagar duas vezes e com juros bem altos.

 

É a realidade do país que trabalha e que é honrado ! Para os vendedores de ilusões, assim como para os profissionais da distração, o seu país é outro, o de ganhar dinheiro desonestamente, sem olhar a meios! 

 

Portugal não consegue sair do marasmo, e mesmo da decadência, sem resolver o problema da falta de justiça!

 

publicado por Barto lo meu às 16:32 | link do post | comentar
Sábado, 09.07.11

Saber navegar à Bolina

 

O Presidente da República, Cavaco Silva, recomendou hoje "um pouco mais de estudo" aos que sofrem de "ignorância na análise" financeira, numa alusão às agências que, na semana passada, desceram o "rating" de Portugal em quatro níveis.
“Àqueles que sofrem de ignorância na análise, eu apenas posso recomendar um pouco mais de estudo”, disse hoje Cavaco Silva, em Vale do Lobo (Algarve), onde assistiu ao início da 5.ª Taça de Golfe Portugal Solidário. 

Para o Presidente da República, “não há a mínima justificação para que uma agência de notação altere a apreciação que faz da República Portuguesa, quando há informações de que Portugal está a cumprir tudo o que consta do memorando assinado com a União Europeia e o FMI”.

Cavaco Silva quando esteve ao leme sempre gostou de navegar de vento em popa, fugiu sempre das bolinas, (como "bom aluno"  que nunca contraria o mestre, para assim passar), e  deste modo, entregou as pescas, a agricultura e parte da indústria pesada, a troco de milhões de euros. Dinheiro que poucos portugueses sabe onde foi gasto e era salutar,(fazia bem à alma), que soubessem. Hoje com o país perto da bancarrota, parece querer iniciar um novo cruzeiro,(desígnio), mas desta vez ao contrário. O novo rumo é tentar recuperar o que ajudou a destruir, (não deixa de ter mérito a intenção).

Desde o apelo ao consumir português assim como à mobilização  para se voltar aos campos,  pescas e  indústria, passando pela aposta no cluster do mar, o homem procura influenciar as políticas. É um discurso simpático Presidente, mas terá eficácia neste momento de aperto?

Onde vai arranjar pessoas predispostas, e que saibam  trabalhar nesses sectores?  E como vai conseguir atrair  empresários e capital para esses desígnios nacionais que  tão imperiosos são e que hoje já é tarde? 

 

publicado por Barto lo meu às 12:32 | link do post | comentar
Sexta-feira, 08.07.11

O chefe Ruas falou, a corporação autárquica exige!

www.dn.pt

A diminuição de 2% nos quadros das autarquias "causaria problemas sem dúvida nenhuma", disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que considera essa possibilidade "uma imposição cega e irracional".

 

Todos estão de acordo com as medidas de austeridade, mas quando chegam ao seu território....não pode ser, por isto e por aquilo, enfim um manancial de desculpas! É o velho ditado " democracia para mim ditadura para os outros"! As corporações estão vivas e bem vivas, vamos ver como Passos coelho as vai enfrentar como tanto apregoou? É a chamada prova dos nove para este governo. Aumentar impostos, todos o partidos têm feito, por ser o caminho mais fácil, mas conduziu o país à estagnação e recessão económica! Nós precisamos é de crescimento económico e menos burocracia.

publicado por Barto lo meu às 21:39 | link do post | comentar

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