É imperioso reduzir o défice público

"É imperioso reduzir o défice público", incluindo "explicitamente o controlo das despesas públicas", conclui o documento, reforçando que "quaisquer ganhos na trajectória de consolidação devem vir desse controlo das despesas e não do lado das receitas". 

Segundo o relatório, "paralelamente ao défice externo, Portugal apresenta um dos piores desempenhos" da zona euro em termos de variação do PIB, com uma taxa de crescimento médio de apenas 0,6 por cento, na primeira década do século XXI, apenas superior à Itália e à Alemanha. 

"À partida, quando se inicia o ano, já cerca de cinco por cento do PIB está destinado para a remuneração líquida de juros e dividendos ao exterior", revela o documento, destacando a necessidade da produção de excedentes da balança comercial. 

Tendo em conta o contexto político-monetário da zona euro, os elevados níveis dos défices público e externo da economia portuguesa e os níveis de endividamento público e externo são um "forte condicionamento à política e ao rumo da economia", sublinha, o documento que considera a "austeridade" uma medida necessária. 

Além disso, destaca ainda o agravamento às condições de financiamento como a alternativa à redução do défice no curto prazo e adianta que os indicadores da economia espanhola evidenciam uma correcção significativa do respectivo défice das contas públicas, o que torna Portugal ainda mais vulnerável, "caso tal não ocorra de algum modo na economia portuguesa". 

Por isso, Portugal terá de prosseguir um padrão de consolidação orçamental "credível" para "tentar desagravar as condições do financiamento da sua dívida soberana" e procurar pela "via exportadora e das pequenas e médias empresas assegurar condições crescimento" e logo "desagravar o financiamento do seu endividamento externo e o desemprego", frisa o documento. 

"O país enfrenta um dilema: ou se tomam acções decisivas para resolver os desequilíbrios macroeconómicos ou deixa-se que eles sejam corrigidos pela imposição de terceiros, com terríveis custos sociais, conduzindo a um ciclo vicioso de empobrecimento relativo e ao prolongado definhamento do país", alerta o relatório. 

O documento adianta que os indicadores mais recentes da conjuntura económica internacional, nomeadamente da China, apontavam, em princípio de Setembro, para uma recuperação mais favorável do que a prevista, excepto no caso da economia norte-americana. 

A China, sublinha o documento, "contribuiu para salvar o euro, evitando uma crise financeira internacional e criando uma zona monetária tampão entre si e os EUA", pelo que a prazo, "mais breve" do que o esperado, a dependência europeia em relação à China "será mais visível" em diversos domínios.  "SaeR" - Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco

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publicado por Barto lo meu às 16:38 | link do post | comentar